Faz uma dieta mediterrânica?

A Dieta Mediterrânica, distinguida pela UNESCO em 2013 como património cultural imaterial da humanidade, diz respeito a um conjunto de hábitos e conhecimentos próprios das populações dos países banhados pelo Mar Mediterrâneo ou que por ele são influenciados.

Efectivamente, apesar de o primeiro conceito de Dieta Mediterrânica remontar à década de 50 do século XX, com o estudo das populações da Grécia e do Sul de Itália, existem outros países com hábitos e culturas semelhantes, sendo possível identificar-se uma matriz alimentar comum assente na produção e consumo de azeite.

Assim, e embora não seja banhado pelo mar mediterrânico, Portugal reúne traços culturais, económicos e ambientais que permitem que partilhemos esta herança mediterrânica.

Quais são as características da dieta mediterrânica?

  • Consumo generoso de fruta e hortícolas em natureza, com predominância de hortícolas folhosos
  • Consumo de alhos, cebolas e azeitonas durante todo o ano.
  • Consumo elevado de cereais inteiros (pouco refinados), incluindo o pão e leguminosas secas
  • Consumo regular, mas moderado, de frutos gordos (amêndoas, nozes, pistachos) e frutos secos (figos, uvas passas, alperces, ameixas).
  • Utilização de azeite como fonte principal de gordura.
  • Preferência por pequenas porções de peixe seco ou fresco, em detrimento de carnes.
  • Consumo reduzido de carnes vermelhas e processadas e preferência por carnes brancas, maioritariamente criação (aves e coelho).
  • Consumo moderado de lacticínios, essencialmente queijo e, em algumas regiões, iogurte.
  • Água como principal bebida ao longo do dia.
  • Consumo moderado de bebidas alcoólicas a acompanhar a refeição (nomeadamente vinho tinto).
  • Consumo regular de chás e infusões de ervas.

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Contudo, os pressupostos da Dieta Mediterrânica englobam não só os alimentos e as suas quantidades, mas também todo um conjunto de características referentes a um estilo de vida saudável, tal como o próprio nome indica (a palavra “dieta” tem origem no grego “diaita” que significa um modo de vida).

  • Alimentação diária distribuída por cerca de 4 a 5 refeições, de acordo com o esforço requerido pela atividade laboral.
  • Grande variedade de alimentos, em pequenas porções.
  • Destaque para a importância do pequeno-almoço sobressaindo ainda a refeição do almoço relativamente à refeição jantar.
  • A culinária simples, com pratos que exijam pouco tempo de confeção como sopas, cozidos, ensopados e caldeiradas (sendo também os que mais preservam os nutrientes).
  • As refeições são momentos de confraternização, devendo ser feitas em família ou entre amigos, num ambiente calmo e tranquilo.
  • Distinção clara entre os dias comuns e os dias festivos (para os quais se reservam as carnes vermelhas e outros alimentos de consumo esporádico).

Considerando todas estas características, cabe assim a cada um de nós preservar e transmitir esta preciosa herança histórica, cultural e de saúde.

 
Inês Pádua – Nutricionista
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