Os benefícios do azeite – Saúde Cardiovascular

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Já diz a sabedoria popular que “azeite de oliva todo o mal tira”. Ainda que não trate “todo mal”, o azeite tem de facto propriedades importantes conducentes a benefícios para a saúde. De entre estas, destaca-se de forma particular o seu papel protector ao nível da saúde cardiovascular.

A relação entre o azeite e a saúde é desde há muito investigada, e em 1986, um estudo pioneiro de Ancel Keys intitulado “Estudo dos Sete Países” mostrou que a taxa de mortalidade por doença coronária era menor nos países onde o azeite era a principal gordura consumida. Desde então, a investigação científica tem continuado, conhecendo-se hoje de forma mais clara a relação entre a composição do azeite e as suas propriedades.

 

Ácido oleico

O azeite é maioritariamente constituído por ácidos gordos monoinsaturados, destacando-se de forma particular o ácido oleico. Este ácido gordo tem um importante papel na redução dos níveis de colesterol total e LDL (o colesterol “mau”) e também no aumento do HDL (colesterol “bom”).

Adicionalmente, estudos referem que o ácido oleico poderá influenciar a dilatação dos vasos sanguíneos e a própria coagulação, diminuindo assim a probabilidade de constrição dos mesmos e de ocorrência de um ambiente protrombotico (ou seja, um ambiente favorecedor à ocorrência de trombos).

 

Componentes minoritários – Polifenois, hidrocarbonetos e pigmentos

Os efeitos benéficos do consumo de azeite não podem ser atribuídos exclusivamente ao seu conteúdo em ácidos gordos monoinsaturados. O azeite possui também outros componentes (como polifenois, hidrocarboneto e pigmentos) que, ainda que minoritários, apresentam importantes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e vasodilatadoras.

No que se refere à importância das propriedades antioxidantes, é sabido que doenças crónicas como ate­rosclerose e enfarte do miocárdio se relacionam com o estado de oxidação do nosso organismo (o conhecido stress oxidativo). Assim, e de forma complementar aos ácidos gordos monoinsaturados, os componentes fenólicos do azeite são então capazes de desempenhar uma acção benéfica sobre o stress oxidativo em geral, diminuindo o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular.

Adicionalmente, o papel anti-inflamatório destes constituintes minoritários do azeite é também muito importante na protecção contra o desenvolvimento da doença cardiovascular tendo em conta que se sabe que esta se associa com um estado de inflamação crónico.

Por fim, tem também sido reportado que as propriedades vasodilatadoras destes componentes podem contribuir para os já verificados efeitos protectores do azeite na diminuição da pressão arterial.

Posto isto, concluímos que ao preferir o azeite, dentro das quantidades recomendadas (não se esqueça!), este trará ao seu prato uma perfeita junção de ésses: … sabor e saúde!

 

Inês Pádua – Nutricionista

* Licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e aluna do doutoramento em Ciências do Consumo Alimentar e Nutrição. Tem desenvolvido a sua actividade como nutricionista na área da investigação e em projectos de comunicação e educação para a saúde.

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