O Azeite na Mitologia Antiga

Invocada em vários mitos e lendas, a oliveira é vista, ao longo da história, como um símbolo imperecível de sabedoria, paz e prosperidade. Devido à sua resistência e perseverança, esta é praticamente considerada imortal, continuando a crescer de forma forte e vigorosa até aos dias de hoje.

O azeite, também designado de Ouro Líquido, tem sido altamente estimado ao longo dos tempos, integrando uma parte importante do quotidiano de várias civilizações antigas, principalmente do Egito, Grécia e Roma.

 

O Azeite na Grécia Antiga

describe the imageNenhuma cultura mediterrânica venerou a oliveira como a Grécia Antiga. Profundamente honrada na sua mitologia, a criação da oliveira foi atribuída à Deusa Atena. Diz a lenda que durante uma disputa com Posídon, sobre quem seria o patrono da nova cidade, o vencedor seria aquele que oferecesse o melhor presente aos seus cidadãos. Então, o Deus dos Mares bateu vigorosamente com o seu tridente e concebeu uma fonte de água salgada e a Deusa da Sabedoria e da Paz bateu com a sua lança e uma oliveira ergueu-se do chão. Esta foi considerada vencedora, pois proporcionaria um delicioso néctar que poderia ser usado na culinária, na iluminação e na cura de feridas e doenças. Em honra da sua protetora, a cidade ficaria conhecida como Atenas.

Venerada como Árvore Sagrada, os gregos conferiam poderes divinos e qualidades sobrenaturais à oliveira. Desse modo, folhas de oliveira eram utilizadas para cobrir o corpo dos defuntos, em sinal de respeito e proteção divina. As jovens que desejavam ser abençoadas com uma maternidade saudável abrigavam-se frequentemente sob a sombra da oliveira. E, segundo Hipócrates, o Pai da Medicina, o azeite era um poderoso remédio, utilizado em inúmeras aplicações farmacêuticas, incluindo a cura de problemas de pele, dores de estomago e otites.

Mencionado na Odisseia de Homero como Ouro Líquido, o azeite era também usado em vários rituais da Grécia Antiga como, por exemplo, em sacrifícios feitos aos Deuses. Na celebração das Olimpíadas, o azeite era aplicado nos corpos dos participantes e, curiosamente, os vencedores eram coroados com uma grinalda de folhas de oliveira, de uma árvore sagrada perto do templo de Zeus, supostamente plantada por Hércules.

 

O Azeite na Roma Antiga

describe the imageNa Roma Antiga a criação da oliveira é atribuída à Deusa Minerva, de forma muito semelhante à mitologia Grega. Para os romanos, a oliveira não teria tanto significado simbólico, mas acreditava-se que Rômulo e Remo, fundadores de Roma e descendentes dos deuses, viram pela primeira vez a luz do dia, debaixo dos galhos de uma oliveira.

No entanto, o azeite constituía grande importância para a sua economia. Ao passo que crescia o Império Romano, este tornou-se um forte produto comercial, sem precedentes nas civilizações antigas.

Muito apreciado na alimentação, as propriedades do azeite eram também estimadas nas áreas da beleza e saúde. De forma que, os aristocratas romanos geralmente comiam azeitonas e pão ao pequeno-almoço e costumavam hidratar a pele com azeite, após o banho.

Durante a guerra, era comum os exércitos derrotados carregarem ramos de oliveiras como sinal de rendição e paz e em caso de vitória, as legiões vencedoras eram presenteadas com azeitonas. Os Imperadores Romanos eram coroados com grinaldas de folhas de oliveira douradas e era-lhes aplicado azeite no corpo.

Entre os gladiadores também era prática comum ungir os corpos com azeite. Aliás acredita-se que esse azeite, utilizado pelos gladiadores mais famosos, era depois recolhido e vendido a matronas romanas por uma avultada quantia de dinheiro.

 

O Azeite no Antigo Egito

describe the imageNo Antigo Egito, as oliveiras e o conhecimento sobre produção de azeite, eram considerados um presente da Deusa Isis.

Para os egípcios, o azeite era profundamente valorizado em muitas áreas, como na cozinha, na medicina, na iluminação e ainda em cerimónias religiosas.

No túmulo dos antigos faraós, as azeitonas eram frequentemente colocadas entre as oferendas de comida, destinadas a ajudar a alcançar a vida eterna após a morte. Além disso, no famoso túmulo de Tutancámon foram encontrados ornamentos e grinaldas compostas com ramos de oliveiras.

Devido à crença geral que o azeite proporcionava força e juventude, este também se tornou um componente essencial em aplicações cosméticas. O que tornou frequente a sua utilização em infusões com flores e ervas, para produção de perfumes e balsamos.

Infelizmente, os egípcios não possuíam condições climatéricas para cultivar olivais, no entanto foram encontrados vestígios de comércio intensivo com países como a Síria e Palestina.






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